Entre o dinamismo e a falta de identidade: A nova manhã da Jovem Pan
A agilidade do hard news não esconde o distanciamento do "Brasil Real" e a crise criativa da emissora.
A Jovem Pan estreou sua nova programação matinal com uma reformulação no tradicional Jornal da Manhã, que agora passa a ter cinco horas de duração, divididas em duas edições.
A primeira, exibida na faixa das 5h às 7h, é comandada por Roberto Nonato, focando nas notícias que foram destaque no final de semana e no que será notícia no decorrer do dia. Durante essa parte, Nonato manteve a postura tradicional do formato, que agora combina muito mais com o horário. Se antes o formato era considerado excessivamente sisudo, agora ele se torna agradável para a faixa das 5h.
Já a segunda edição, exibida das 7h às 10h, fica sob o comando de Evandro Cini e Beatriz Frehner. Esta etapa traz mais dinamismo e agilidade, focando no hard news político, análises e entrevistas. Além dos giros com repórteres, optando pelo fato "quente" do momento, os apresentadores comandam as três horas restantes completamente em pé.
Ao observar isso, perguntei-me se não haveria a possibilidade de utilização da bancada após as 9h30, pois permanecer três horas em pé não é saudável. Além disso, essa escolha quebra parte do dinamismo atingido por Nonato na primeira edição, que alternava entre as posições em pé e sentado. Na parte final, Evandro Cini pareceu recordar seus tempos de CNN Brasil ao lado de Daniela Lima: os destaques finais do antigo CNN 360° agora parecem compor o encerramento do matinal da Jovem Pan, mas com os repórteres da casa.
No geral, os gráficos e ângulos foram muito bem trabalhados. No fim das contas, a Jovem Pan, apesar de seus erros sabe entregar qualidade técnica quando quer. Apenas questiono se era realmente necessária a divisão do Jornal da Manhã em dois links distintos no YouTube, já que o formato, apesar da troca de apresentadores, permanece o mesmo.
Nos Estados Unidos, o Good Day L.A., da Fox, fica no ar das 4h às 11h e faz essa mesma transição de âncoras em diferentes faixas horárias; contudo, o nome se mantém, e o tom muda conforme a personalidade de quem apresenta. No Brasil, formatos semelhantes são vistos no Primeiro Impacto (SBT), que já teve fases com até três apresentadores em horários definidos, e no Manhã BandNews, que até pouco tempo ia ao ar das 7h30 às 12h com apresentação rotativa a cada hora.
Quanto ao Morning Show, o programa parece não ter uma identidade própria desde a saída de Edgard Piccoli. Na minha visão, falta uma direção e uma equipe de criação à altura para entender o que o formato deveria ser hoje. Admira-me que a Jovem Pan, uma emissora que exalta tanto o modelo americano, não tenha enxergado que falta ao Morning Show a essência do The View. Mas o que esperar de um ambiente onde escasseia a diversidade étnica, racial e sexual em seu time de jornalismo?
Se entrarmos no assunto feminismo, o canal possui mulheres brancas em abundância, seguindo padrões estéticos rigorosos. Porém, quando questionadas sobre a realidade do "Brasil real" fora de seus privilégios, pouco sabem dizer. Quanto aos homens, parece haver um perfil preferencial: o estereótipo da Faria Lima ou figuras que lembram o autoritarismo de quem gosta de explorar subordinados. Afinal, a direção parece ver sua programação não como jornalismo, mas como um entretenimento político que engaja através da raiva. Assim, ninguém evolui, pois não há espaço para a análise do mundo nem para o autoconhecimento dentro da sociedade.


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