Por que o Brasil não "anda"?

O Estado de Coisas Inconstitucional como Projeto de País!


O Brasil não é um país que "deu errado"; ele é um projeto que funciona exatamente como foi desenhado. Enquanto buscamos o progresso nos livros, a realidade nos entrega uma hegemonia de classe que sequestrou as instituições para garantir a autoproteção de uma elite minoritária.

A Constituição de 1988 é um monumento à dignidade humana, mas, na prática, tornou-se um livro que ninguém no topo respeita. Vivemos sob um "Estado de Coisas Inconstitucional", onde a violação de direitos fundamentais é a norma, não a exceção. Para quem está na base, a lei só aparece para punir ou para validar a exploração no modelo 6x1.

O sistema jurídico e político criou "filtros de legitimidade" intransponíveis para o cidadão comum. O Judiciário, muitas vezes corporativista e distante da realidade, protege salários astronômicos e isenções bilionárias para grandes empresas, enquanto o trabalhador qualificado é empurrado para o subemprego, sem EPI e sem voz. Não se pode sequer processar o país por sua omissão, pois as chaves dos tribunais pertencem aos mesmos que lucram com o caos.

O Brasil desperdiça seus talentos industrialmente. Quando um jornalista qualificado, com registro profissional e capacidade crítica, é forçado a escolher entre a fome ou a exaustão física em funções operacionais abusivas, o país está jogando fora seu capital intelectual. É o silenciamento pelo cansaço: quem está exausto demais para sobreviver não tem tempo para questionar a estrutura.

O mercado, especialmente o de comunicação, opera sob um regime de castas. As concessões públicas são tratadas como heranças familiares. Sem o "visto" da elite, o profissional negro, mesmo com portfólio e técnica, permanece invisibilizado. É um jogo de cartas marcadas, onde o mérito é apenas um discurso para manter os mesmos de sempre no poder.

O Brasil não vai para frente porque o "frente" da elite é o "atrás" do povo. Enquanto a retenção de riqueza estiver nas mãos do 1% que controla o Judiciário e o Legislativo, a Constituição continuará sendo apenas papel higiênico. Chegamos ao fim da linha de um modelo que exige que você aceite o inaceitável para conseguir existir.

Isso sem falar sobre a manipulação dos veículos de comunicação, mas isso fica para outro dia. Como diz a música de encerramento do The Judy Garland Show: "Talvez eu volte!"

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