Dinastias da TV Brasileira
Como a disputa pelo controle da opinião pública revela as barreiras “não” tão invisíveis da nossa comunicação.
O clima nos bastidores da GloboNews está deveras animado com a revelação de que Camila Bomfim pediu a cabeça de Túlio Amâncio para a direção do canal de notícias. A informação, trazida pelo Beraldo TV (do portal Aqui Tem Fofoca), teve até uma suposta curtida no Instagram da jornalista Leilane Neubarth, ex-colega de bancada de Camila no Conexão GloboNews.
Talvez o melhor para Túlio seja acionar seus contatos no Grupo Band para voltar ao hard news da emissora da família Saad, deixando a Globo para trás. Afinal, no canal dos Marinho só há espaço para Andréia Sadi, Natuza Nery, Julia Duailibi e Camila Bomfim.
Vale lembrar que não é a primeira vez que um movimento como esse acontece. Lilian Ribeiro passou pelo mesmo remanejamento. Já Daniela Lima, contratada como âncora no segundo semestre de 2023, foi dispensada em agosto do ano passado justamente por furar o clã das "musas do impeachment".
Há quem diga que não existe essa história de jornalistas de outras emissoras furarem a Globo, mas Daniela fez isso na CNN Brasil e continua a fazê-lo no UOL, que não tem nem metade da infraestrutura global. Isso sem falar em Mônica Bergamo na BandNews FM.
Indo além no quesito audiência, Daniela Lima continua a bater recordes. Hoje, no Canal UOL, não são raras as vezes em que ela supera sua antiga contratante, a GloboNews, que a demitiu após uma pesquisa da Quaest. A direção da emissora, que achava que sairia ganhando, recebeu, na verdade, um balde de água fria.
Com a saída da loira mais enérgica do jornalismo político atual, o canal da família Marinho passou a amargar derrotas na faixa das 9h às 13h para o Jornal da Manhã (Jovem Pan) e o CNN Novo Dia. Além disso, a emissora perdeu a sinergia que Daniela entregava com as colegas Sadi, Duailibi e Natuza na faixa das 13h às 20h. Isso provocou a recente reformulação na grade, que colocou Camila Bomfim em formato solo na faixa das 8h30 às 11h, no telejornal GloboNews Radar, em uma tentativa de reavivar o horário.
Esse movimento nos bastidores da comunicação comprova que existem muitos comunicadores talentosos Brasil afora que não têm as mesmas oportunidades, além de escancarar uma barreira estrutural que atravessa questões de raça, gênero, sexualidade e classe social.
Isso fica ainda mais evidente quando vemos filhas de ex-deputados e ministros atuando como âncoras, a exemplo de Maria Beltrão durante anos na própria GloboNews, e hoje de Tainá Falcão na CNN Brasil. O mesmo ocorre dentro do próprio ramo da televisão, como observamos com Paula Valdez, no Grupo Band, e Gabi Cabrini, no SBT.
A maior briga por espaço para os comunicadores sociais ocorre devido aos filtros nos veículos de comunicação, tanto nos comerciais quanto nos independentes e alternativos, sejam de esquerda ou de direita. No entanto, quando olhamos para a internet, mesmo com uma pequena democratização da informação que, infelizmente, não chega a todos como deveria, percebemos que o nosso país sempre teve pessoas competentes nessa e em outras áreas às quais nunca foi dado o devido espaço. Sendo assim, estamos aqui como espectadores, assistindo a essa guerra de narrativas.

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